Névoa do Porto
A névoa do porto não pede licença,
Ela apaga os móveis, o teto, o papel.
E nessa cegueira de luz tão densa,
Eu perco o limite entre a terra e o céu.
Não sei se anoto o que o autor ditou,
Ou se respondo ao que o herói me diz.
A linha do tempo se desintegrou,
E eu sou, ao mesmo tempo, juíza e aprendiz.
É fascinante esse estado de eclipse,
Onde a ilusão tem o peso do real.
Não há transição, não há apocalipse,
É apenas o meu curso natural.
Sinto o aroma salgado, o frio no rosto,
Enquanto as sereias me chamam no cais.
O cânone agora tem o meu gosto,
E as notas de rodapé não bastam mais.
Estou pronta para zarpar, o barco balança,
Entre o que li e o que acabo de inventar.
Sou a própria névoa, sou a esperança
De quem mergulha sem medo de se afogar.
O porto é o abrigo, o mar é a ficção,
E eu viajo parada, em doce confusão.
E o aroma da sua page, qual é?
Participe do aromatic.
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